Você já ouviu falar em stablecoins? Elas são uma das estrelas do universo das criptomoedas, prometendo estabilidade em um mundo volátil de finanças digitais. Mas um relatório recente da McKinsey e da Artemis Analytics revela uma verdade surpreendente: no ano passado, stablecoins processaram mais de US$ 35 trilhões em transações. Impressionante, né? No entanto, apenas cerca de 1% disso – algo em torno de US$ 380 bilhões – representou pagamentos reais no dia a dia, como remessas ou folha de pagamento.
Ao analisar esses dados, eu percebo que há muito hype em torno das stablecoins, mas o uso prático ainda é limitado. Isso levanta questões importantes sobre o verdadeiro impacto delas na economia global. Vamos mergulhar nesse tema de forma simples e acessível.
O que são stablecoins e como elas funcionam?
Stablecoins, ou moedas estáveis, são criptomoedas projetadas para manter um valor estável, geralmente atrelado a uma moeda fiduciária como o dólar americano. Diferente do Bitcoin, que oscila loucamente, uma stablecoin como o USDT (Tether) ou USDC (USD Coin) busca espelhar o valor de US$ 1 o tempo todo. Na prática, isso significa que você pode usar stablecoins para transações sem se preocupar com flutuações bruscas de preço.
Elas surgiram por volta de 2014 como uma forma de ‘estacionar’ dinheiro no mundo crypto durante períodos de volatilidade. Hoje, quase 99% delas são lastreadas em dólares, com reservas em ativos como títulos do tesouro ou depósitos bancários. Mas atenção: nem sempre são 100% seguras; algumas já falharam em manter o peg (a paridade).
Tipos principais de stablecoins
Existem vários tipos. As fiat-backed, como USDT e USDC, são respaldadas por moedas reais. Já as crypto-backed, como o DAI, usam outras criptos como garantia. Há também as algorithmic, que usam algoritmos para equilibrar oferta e demanda, mas essas são mais arriscadas e podem entrar em ‘espiral da morte’ em crises.
Eu analisei relatórios e vejo que o mercado de stablecoins chegou a US$ 255 bilhões em junho de 2025, segundo o Banco de Compensações Internacionais. Elas facilitam compras de crypto, pagamentos transfronteiriços e mais.
O volume bilionário: realidade por trás dos números
Os US$ 35 trilhões soam como se stablecoins estivessem revolucionando os pagamentos, superando até gigantes como Visa. Mas o relatório da McKinsey esclarece: a maior parte desse volume vem de negociações crypto, transferências internas em exchanges ou funções de protocolos blockchain – nada que chegue ao usuário final.
Apenas 1% reflete usos reais. Isso equivale a 0,02% do total global de pagamentos, que ultrapassa US$ 2 quatrilhões por ano. É um começo, mas longe de dominar o mercado.
Desvendando os US$ 380 bilhões em pagamentos reais
De acordo com o estudo, os pagamentos autênticos incluem:
- Transações B2B: US$ 226 bilhões em pagamentos entre empresas, como fornecedores.
- Remessas e folha de pagamento: US$ 90 bilhões para envios internacionais e salários.
- Mercados de capitais: US$ 8 bilhões em liquidações automáticas de fundos.
Esses números mostram que stablecoins estão ganhando tração em nichos específicos, mas ainda não no varejo cotidiano.
Impactos práticos: como isso afeta você e as empresas
Para indivíduos, stablecoins podem baratear remessas – imagine enviar dinheiro para a família no exterior sem taxas exorbitantes de bancos tradicionais. Empresas, por sua vez, usam elas para pagamentos rápidos a fornecedores globais, reduzindo custos e atrasos.
No entanto, o baixo uso real significa que stablecoins ainda não ameaçam sistemas como Visa ou Mastercard. Para a sociedade, há riscos: se stablecoins crescerem sem regulação, podem criar bolhas ou instabilidade financeira. Governos ao redor do mundo estão de olho, com regras se apertando para garantir transparência nas reservas.
Eu percebo que, para o Brasil, onde remessas são comuns, stablecoins poderiam ser uma ferramenta poderosa, mas precisamos de mais adoção e educação.
Tendências futuras: o caminho para o crescimento das stablecoins
O potencial é enorme. Com gigantes como Visa e Stripe entrando no jogo, e emissores como Circle e Tether promovendo usos internacionais, stablecoins podem escalar. O relatório enfatiza que entender essa baseline de 1% ajuda a medir o progresso real.
Recomendo: empresas explorem stablecoins para pagamentos B2B, enquanto reguladores foquem em supervisão para mitigar riscos. No futuro, poderemos ver stablecoins integradas a apps de pagamento diário, impulsionando a inclusão financeira em países emergentes.
Desafios incluem regulação e confiança nas reservas. Mas com inovação, como blockchains mais eficientes, o uso real pode explodir nos próximos anos.
Reflexões finais: além do hype, um futuro promissor
Em resumo, stablecoins movimentaram uma fortuna em 2025, mas o verdadeiro valor está nos pagamentos reais que ainda representam uma fração mínima. Isso não diminui seu potencial; ao contrário, destaca oportunidades de crescimento. Fique atento: o mundo das finanças digitais está evoluindo rápido. O que você acha? Já usou stablecoins? Compartilhe nos comentários e acompanhe mais análises como essa.
