Imagine investir em uma criptomoeda revolucionária que promete te deixar rico, só para descobrir que era tudo uma grande ilusão. Isso é exatamente o que aconteceu com milhões de pessoas ao redor do mundo com o OneCoin, um dos maiores golpes da história das criptomoedas. Recentemente, as autoridades de Guernsey, uma pequena ilha no Canal da Mancha, deram um passo importante ao apreenderem US$ 11,4 milhões ligados a essa fraude. Eu analisei os detalhes desse caso e vou te explicar tudo de forma simples, para que você entenda o que rolou e por que isso ainda importa hoje.
O que é Guernsey e por que isso aconteceu lá?
Guernsey é uma dependência da Coroa Britânica, conhecida como um paraíso fiscal, ou seja, um lugar onde empresas e ricos guardam dinheiro com menos impostos. Não é parte do Reino Unido, mas segue leis semelhantes. Nesse caso, um tribunal local confirmou uma ordem de confisco da Alemanha, apreendendo fundos em uma conta no banco RBS International, sob o nome de Aquitaine Group Limited. Esses US$ 11,4 milhões (cerca de R$ 63 milhões) vinham dos lucros sujos do OneCoin.
Eu percebo que casos como esse mostram como o dinheiro de fraudes viaja pelo mundo, escondendo-se em jurisdições offshore. Mas graças à cooperação internacional, é possível recuperá-lo, mesmo que aos poucos.
Quem é a ‘Cryptoqueen’ e o que foi o OneCoin?
A ‘Cryptoqueen’, ou Rainha das Criptomoedas, é Ruja Ignatova, uma empresária búlgara que fundou o OneCoin em 2014 junto com Sebastian Greenwood. O termo Cryptoqueen surgiu porque ela prometia uma cripto melhor que o Bitcoin, mas na verdade era um esquema Ponzi – um tipo de fraude onde os pagamentos aos primeiros investidores vêm do dinheiro dos novos, sem gerar lucro real.
O OneCoin não tinha uma blockchain verdadeira, que é a tecnologia que torna criptomoedas como Bitcoin seguras e descentralizadas. Em vez disso, era um esquema piramidal: você comprava pacotes ‘educacionais’ caros (de 100 a mais de 100 mil euros) e recebia ‘tokens’ falsos para ‘minerar’ moedas que nunca circulavam de verdade. Ruja desapareceu em 2017, quando as autoridades americanas a indiciaram, e até hoje é uma das mais procuradas pelo FBI.
Como o golpe funcionou na prática?
Os recrutadores vendiam a ideia de uma cripto inovadora em seminários glamorosos, mas o foco era recrutar mais gente, não educação real. O conteúdo dos pacotes era copiado de fontes grátis, como a Wikipédia. No total, o esquema arrecadou cerca de US$ 4 bilhões de vítimas em mais de 175 países. Irmão de Ruja, Konstantin Ignatov, assumiu e acabou preso em 2019, confessando lavagem de dinheiro.
Sebastian Greenwood também foi condenado a 20 anos de prisão em 2023. Mas Ruja? Ainda foragida, possivelmente morta, segundo algumas investigações búlgaras.
Quais os impactos dessa fraude para as vítimas e o mundo das criptos?
Para as vítimas, o prejuízo foi devastador: famílias perderam economias inteiras, sonhando com riqueza rápida. No Brasil, milhares foram enganados. Essa apreensão de US$ 11,4 milhões é só 0,2% do total perdido, mas pode ajudar a compensar algumas vítimas alemãs.
Para a sociedade, o OneCoin manchou a imagem das criptomoedas, fazendo muita gente achar que tudo é golpe. Empresas e governos agora são mais rigorosos com regulamentações, como as novas leis de Guernsey sobre bens confiscados. Eu vejo isso como um lembrete de que o ecossistema crypto precisa de transparência para crescer.
- Perdas globais: US$ 4 bilhões.
- Vítimas: Milhões em 175 países.
- Recuperações: Ainda mínimas, mas em andamento.
O que o futuro reserva para casos como esse?
Com tecnologias de detecção on-chain modernas, fraudes como o OneCoin seriam flagradas mais cedo. Hoje, ferramentas monitoram transações suspeitas em tempo real, inclusive as que usam mixers para esconder rastros. Especialistas como Ohad Shperling, da IronBlocks, dizem que se isso existisse em 2014, o golpe poderia ter sido parado no início.
Recomendo: sempre pesquise projetos crypto, verifique se há blockchain real e evite promessas de ganhos fáceis. Reguladores estão avançando, e recuperações futuras podem ser mais eficazes com cooperação global.
Reflexões finais: Lições de um golpe bilionário
Esse caso de Guernsey nos mostra que a justiça, mesmo devagar, alcança os fraudadores. O OneCoin foi um alerta para o mundo das criptos: inovação sim, mas com responsabilidade. Se você investe em crypto, fique atento e eduque-se. Quem sabe, com mais consciência, evitemos o próximo grande golpe. O que você acha? Compartilhe nos comentários!
